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Começaram os adiamentos de jogos de futebol em razão do resultado positivo de testes para a COVID-19

Boa tarde a todos e feliz Dia dos Pais.

Agora surgiu o primeiro caso de adiamento de rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol, por conta de testes positivos para a COVID-19. Foi no jogo de hoje pela série “C” e o jogo adiado é o que seria realizado hoje entre as equipes do  Treze (Treze Futebol Clube) e Imperatriz (Sociedade Imperatriz de Desportos), que seria válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro da Série C. O jogo aconteceria no Estádio Amigão, em Campina Grande, Paraíba e ainda não há nova data para esta partida.

Este adiamento foi informado pela CBF em seu site (https://www.cbf.com.br/futebol-brasileiro/noticias/campeonato-brasileiro-serie-c/nota-oficial-adiamento-de-partida-da-serie-c) as 14:45 ou seja a pouco mais de uma hora para o início da partida, quando a equipe local já estava no vestiário e a visitante  já deveriam estar a caminho do estádio, para não dizer que já deveriam estar presente para aquecimento e preleção, juntamente com as equipes de arbitragem. Sem falar dos jornalistas que estariam a postos para cobrir as atuações das equipes, policiamento e demais pessoas necessárias ao início da partida.

Este adiamento, segundo o informe da CBF, se deu em razão do teste positivo dos jogadores do Imperatriz “que constataram, em prova e contraprova, a contaminação por coronavírus de 12 dos 19 jogadores inscritos pela equipe maranhense na competição”, o que deixa a equipe maranhense, até por ser a visitante, sem time para entrar em campo.

E não me diga que o jogo poderia iniciar em razão do número mínimo necessário de sete jogadores, segundo a regra 3, que assim estabelece:

“As partidas são disputadas por duas equipes compostas por no máximo de 11 jogadores cada, um dos quais jogará como goleiro. Nenhum jogo começará nem continuará se uma ou ambas as equipes tiverem menos de sete jogadores.

Não existe razão para fazer com que os sete jogadores que testaram negativo entrassem em campo: primeiro porque não teriam o necessário equilíbrio psicológico para disputar a competição sabendo que poderiam estar contaminados pelo contatos com os demais atletas e apenas não testaram positivo ainda naquele momento (e que no retorno para sua cidade, poderiam contaminar as suas famílias).

Em segundo lugar por não ser esportivamente aceitável e nem poderíamos pensar na hipótese da partida iniciar com os sete jogadores necessários e, logo na sequência, um destes jogadores cair simulando uma contusão e não voltar ao jogo. Isto faria com que este fosse interrompido em razão de não ter o número mínimo de jogadores, também segundo a regra 03 do regulamento:

Se uma equipe ficar com menos de sete jogadores, porque um ou mais jogadores abandonaram o campo de jogo deliberadamente, o árbitro não é obrigado a interromper o jogo imediatamente, porque pode aplicar a regra da vantagem, mas a partida não poderá ser reiniciada, após a bola sair de jogo, se a equipe continuar sem o número mínimo de sete jogadores.

Sem que existam onze jogadores de cada lado, com plena capacidade mental de focar única e exclusivamente no jogo, não existe paridade entre as equipes, estando caída por terra toda e qualquer possibilidade de haver um confronto justo entre elas. O que prejudica não apenas as equipes envolvidas nesta partida, como todas as demais envolvidas na competição, porque qualquer placar neste jogo, ainda bem que adiado, poderia impactar uma classificação no final do torneio.

Neste caso da Série “C” temos de considerar que a constatação da contaminação pela Covid-19 foi com a equipe visitante, ou seja, estes atletas não tem qualquer responsabilidade pois não sabiam que estavam contaminados e podem ter transmitido estes vírus a diversas pessoas, no trajeto até a cidade de Campina Grande.

Não temos a informação de qual foi o meio de transporte utilizado neste deslocamento mas, se formos seguir o padrão pela falta de voos diretos entre a maioria das cidades, teve deslocamento de ônibus, até uma cidade maior, voo até São Paulo ou Brasília, novo voo e mais transporte de ônibus. Entendemos, agora que existe o teste positivo, que no retorno serão necessários muito mais cuidados, posto que agora há a certeza de que existe pessoas contaminadas na viagem. Talvez fosse o caso até de ser utilizado um voo fretado, para evitar a contaminação dos demais passageiros e poupar a delegação dos olhares de desconfiança e dos comentários maldosos já que a informação circula, com velocidade e aqueles que voarem com a delegação podem não se sentir confortáveis.

E entendo que este custo, se for necessário, deve considerar fretar um avião, posto que a distância entre as cidades em linha reta entre Campina Grande (Paraíba) e Imperatriz (Maranhão) é de 1,295.24 km, mas a distância de condução é 1,611 km. Ou seja, leva 23 horas 38 minutos (segundo o site http://br.distanciacidades.net/distancia-de-campina-grande-a-imperatriz)

O vôo fretado impede assim, uma viagem com jogadores doentes e entendo que deve ser suportado integralmente pela CBF, que por ser a organizadora do torneio que está sendo realizado em meio a pandemia, deve arcar com este custo extraordinário.

Custo extraordinário, talvez não seja a palavra que melhor o defina, já que ao fazer o planejamento do retorno dos jogos, deveria ter sido pensada esta possibilidade de frete de avião, em razão da contaminação de uma determinada equipe. Se não houve uma discussão deste ponto o planejamento foi falho.

Aqui o que menos importa é a questão do tempo entre a divulgação do resultado dos exames dos jogadores e o tempo do início da partida. Mas sim a preservação da saúde dos atletas e dos demais envolvidos na partida.

Deve se pensar nisso toda vez que um atleta testar positivo, o que pode acontecer já que não estamos vivendo como a NBA, em que os atletas estão isolados em uma bolha, morando em hotéis e jogando dentro de ginásios nestes hotéis, no complexo montado para este fim, sem contato com publico externo. Por aqui, a contaminação do jogador pode acontecer no trajeto do seu apartamento até o treino, porque o vírus pode estar dentro do elevador, no botão do elevador, no contato com o porteiro do prédio ou manobrista ou ainda acontecer quando este atleta vai a padaria comprar pão. Os demais atletas deveriam ficar isolados e testar novamente, digo até que diariamente, até constatar-se que não houve contaminação.

O atleta, como todo profissional, tem de ter segurança para trabalhar e a segurança deve vir do clube, por meio de testes da COVID, minimizando o contato dos jogadores com possíveis agentes de contaminação. E devem ser adotadas medidas de isolamento do atleta que venha a se contaminar, sempre preservando a sua identidade.

Até por isso seria lícito aos jogadores do Imperatriz que testaram negativos pedirem para regressar em voo apartado da delegação, para minimizar estes riscos. E não podemos deixar de fazer a seguinte consideração antes de encerrar este texto que é a relativa necessidade de serem remarcados todos os jogos do Imperatriz, já que ficará com certeza sem poder treinar, com todos os seus atletas, pelo menos os 12 que testaram positivos por duas semanas.

Não adianta manter a tabela de jogos do Imperatriz, sem que este possa treinar com o elenco completo, porque estará fazendo um treino incompleto sabendo que não poderá ter os jogadores nesse período e por mais uma ou duas semanas, até estes recuperarem a forma física e tática. Se for mantida a tabela e o clube entrar em campo com time alternativo isso impacta na tabela de classificação como um todo, já que em pontos corridos todos os jogos contam, até os da equipe adversária, já que saldo de gols é critério de desempate.

Assim, concluímos dizendo o óbvio: o Campeonato Brasileiro retornou antes do prazo necessário para que a COVID estivesse em padrões controláveis. O Brasil é um pais continental, com distâncias que necessitam ser percorridas de avião, como neste caso em que o trajeto entre as cidades é de mais de 1.600km.

Não raro, uma equipe necessita viajar por mais de um dia, mesmo de avião, o que faz com que o resultado negativo de um jogador no momento do embarque se torne positivo no desembarque. Assim, as equipes que tenham jogadores testados positivo para COVID, precisarão ter os seus jogos adiados porque não terão o seu elenco em condições físicas, técnicas e psicológicas em relação a outra equipe. Por fim, entendo que todas as despesas inerentes a remarcação dos jogos e transporte de jogadores doentes deve ser suportado pela CBF.

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